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Quase

Tantas vezes ficamos à beira do quase fizemos que acabamos por nos contentar com o que quase foi feito. Acabamos por ter uma vida que nunca será perfeita porque lutar pela vida que sempre quisemos há-de custar mais que ficar com o futuro que já se tem como certo. Arriscar torna-se cada vez mais sem sentido, a vida, essa, já nos ensinou que o tempo nos consome a alma e o corpo. Somos muitas vezes consumidos pelo passado, tantas vezes consumidos pelo presente, que nos consome o futuro que se nunca alcançará. Caminhamos cheios de  histórias de"teria sido fantástico" e por quase ter sido tantas vezes quase se consegue ser feliz, quase se consegue ser inteiro. E ao fim, consumidos por tudo o que não fomos, por tudo o que não tivemos, há-de chegar o último dia, o que nos consome a alma, o que nos diz que independentemente de todos os cenários possíveis, o fim chegaria sempre. No fim não se pergunta se se foi ou não feliz, se valeu ou não a pena, no fim aceita-se apenas que ser feliz teria sido outra forma de ter chegado ao fim. Como tantas histórias que terminaram antes de começarem, tantos acabam antes de serem felizes. Tantas vezes esbarramos de frente com a felicidade e fugimos-lhe, como que se ficar não fosse mais que destruir a felicidade que seria, tantas vezes nos escondemos para não provarmos o que seria ter sido feliz. Tantas vezes corremos do que teria sido fantástico com medo de que não seja, que de todas as vezes o que acabamos por aproveitar é mais uma oportunidade de não sermos felizes. E aceitamo-lo de ânimo leve, porque se diz que se não pode ser feliz para sempre. E quando se diz que não agarrámos as oportunidades, agarramo-las todas, agarramos todas as possibilidades de não sermos felizes... Outros agarrarão, com toda a certeza, todas as oportunidades de serem felizes. E no fim, nem uns nem outros, desperdiçaram oportunidade alguma, apenas as aproveitaram de formas diferentes.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."