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Nunca serás... Até ao fim

E... À noite, quando a luz se vai e os medos e o escuro e a verdade te surgem e te acordam do dia que sonhavas, Percebes que lutas e lutarás sempre por um nunca será, que chega a ser enquanto não encostas o corpo à cama e à alma à verdade. Quente pelo sonho, deitaste ainda morno, para começar a gelar no calor que só se faz sentir à superfície... O futuro, esse, há-de vir cheio de nada, cheio do que nunca foi... E vais deitar-te assim, até ao fim dos dias, com quem nunca foste... Vais crescer como quem nunca cresceu realmente. Vais viver como quem já viveu mil anos e hás-de morrer como quem ainda não nasceu. Envolto em sonhos serás sempre feliz, à luz da realidade serás vazio. E no fim quando a luz e o escuro se misturarem, serás só mais uma sombra que vagueia sem norte, sem razão, sem rumo, sem um porto seguro... Sem casa, à procura do que nunca seria, mesmo quando encontrado. À procura do que nunca foi, e do que nunca será serás sempre mentira. Serás a farsa que te não viu viver, tão pouco nascer... Serás vazio, serás nada, serás só a sombra de quem nunca foste.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …

De: Helena Coutinho

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