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Não foram poucas as vezes que ele tentou não acordar,
para não a deixar partir sem um "até já". Só ele sabia
a quantidade de vezes que tentou voltar a adormecer e a
apanhar antes de ela partir para si. Sonhava com ela,
amava-la, mas não tinha nem a coragem, nem a determinação
para lhe explicar. Enquanto ele sonhava, ela esperava,
aceitava todas as suas "inocentes" brincadeiras, até
porque ele era engraçado e aventureiro e sabia divertir
uma miuda, só lhe faltava a seriedade que um dia a vida
lhe traria. Hoje ela espera não acordar, para poder
continuar a viver o passado enfeitado em forma de sonho.
E ele espera não adormecer, para não ter de voltar a chorar
a perda do que, na realidade, nunca tivera... E assim
caminham ambos, afastados, de mãos dadas a um futuro que
só os faz pensar no que poderia ser se... E agora é dia
dos namorados e querem estar juntos, talvez hoje ambos
tenham vontade de adormecer e não acordar, para pelo menos
terem mais um dia perfeito, um de tantos dias que poderiam
ter sido... No fim de tudo, percebes que não foste nada...

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Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

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"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

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