Avançar para o conteúdo principal

O fim como nao deve ser

Deambulas perdido num passado que te
afastou de viveres o presente, e te
impediu de ponderar o futuro. Foste
vivendo à cabra cega e até nem correu
muito mal, até à altura em que tiveste
de pensar nos objectivos que tinhas
traçado no passado. E qual o teu
espanto quando te dás conta que
caminhas à deriva num presente
cinzento e enfadonho, compensado por
uma garrafa de rum que te faz esquecer,
que te permite nao pensar, nao olhar
para a frente. Agarraste a toda a força
a um lema que não é teu e tentas viver
cada dia como se fosse o ultimo.
Quando o que devias ter feito era ter
aproveitado o ontem para hoje teres
alguma coisa que te faça pensar no
amanha. E assim vais vivendo, sem
sentido, sem medo, sem tempo, sem
esperança. Assim te deixas ir até
ao fim, ao fim de ti, ao fim de tudo.

Comentários

  1. "(...) Quando o que devias ter feito era ter
    aproveitado o ontem para hoje teres
    alguma coisa que te faça pemsar no
    amanhã. (...)"

    Como entendo as tuas palavras, Fábio. E que peso têm também na minha vida...

    ResponderEliminar
  2. É o problema de uma sociedade inteira. Procuramos o instantaneo, queremos tudo agora e acabamos por nos esquecer de que o que realmente importa tem de ser conquistado, por vezes muito lentamente.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …
Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...