quinta-feira, 21 de abril de 2011

Dia e Noite

Reparo na lentidao com que a noite cai e
imagino as mil formas como se constroi,
para daqui a nada ser "destruída" por um
novo dia que nasce. Dia esse que acabará
com toda a construçao desta bela noite...
Noite e dia "lutam" através de sempre, e
quem sabe, para sempre, e nunca se cansam
de o fazer, até porque nem são bem opostos,
tem alturas que é quase de noite, tem alturas
que é quase de dia. Alturas há, sim, em que
sao precisamente o oposto, opostos que se
respeitam, que sabem os seus limites, que
nao se ultrapassam, que nao se invadem demais.
Temos sido assim, tu dia, eu noite, temos
enfrentado várias lutas que nos transcendem,
da mesma forma que o ano ultrapassa este
pequeno ciclo noite e dia, mas esse ano em
nada interfere com a harmoniosa forma como
dia e noite vao passando, enquanto o ano os
tenta fazer perceber a sua insignificancia.
Partimos, desde sempre, do principio que eu
era "noite" e tu "dia", só nos faltou aguentar
um ou outro "ano" que por nós foi passando.
Vencemos muitos, é certo, mas nem nos haviamos
de ter preocupado, até porque foram as coisas
insignificantes que destruiram tudo o que foi
construido entre noite e dia, e foi muito, por
muito pouco que pareça agora. Percebo agora que
tudo o que fizemos foi viver, percebo agora que
todas as nossas lutas, todas as nossas divergen-
cias, todos os nossos momentos mais criticos,
nao foram mais que uma liçao de como sempre
nos respeitamos, um exemplo de como nunca nos
excedemos, seremos para sempre "dia e noite".
Chegamos juntos à conclusao, um dia saberemos
se acertada, de que dia e noite por muito bem
que se entreguem e coexistam, nunca ficarao
juntos, nunca haverá um meio termo, para os
classificar. Ao contrario deles, nos chegamos
ao fim, chegamos ao limite das nossas lutas,
chegamos como uma bela noite de Verao em que
até a chuva foi perfeita, chegamos ao fim como
um belo dia passado algures entre nenhures, até
ter chegado a noite. Seremos sempre assim,
olharei sempre para nos como um dia, um dia
inteiro, dia e noite, o ciclo perfeito entre
ambos. Ficaremos sempre assim "dia e noite"
e sabemos que deviamos ter ficado, mas fomos
mais audazes e quisemos seguir em frente.

Talvez eu construa à noite aquilo que deves
destruir durante o dia, talvez nos completemos
desta forma, talvez... Mas ficamos bem assim,
separados, cada um no seu devido lugar, sem
pensar que deviamos continuar numa luta desigual,
numa luta que nao é nossa... Talvez o tal "ano"
nos faça perceber, que afinal as pequenas coisas
afinal é que constroem o ano, ate porque um ano
é uma distancia percorrida por dias e noites que
vao de mao dada até ao seu destino, talvez sejamos
assim... Apenas caminhamos distanciados, iguais
a nos mesmos, como sempre, a construir na incerteza,
a destruir na duvida, chegaremos ao fim do caminho.
Por enquanto... Por enquanto ainda falta muito.

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...