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Foram

Fez do seu mundo deles... Fez do seu sonho, um sonho deles e para os dois... Fez do seu futuro o futuro deles!! Fez de si eles, perdeu-se dos seus defeitos mais evidentes e afastou os dela como que numa troca onde ficaram os dois sem nada do que não importava... Viu-a no seu futuro, já era o futuro deles... Tinha conseguido criar todo um novo mundo... Um mundo que seria deles e para eles e nunca seria só seu!! Depois acordou e nada fazia sentido, esse futuro nunca existiria!! Voltou a adormecer para poder continuar a acreditar. Às vezes acreditar no que nunca será é melhor que não acreditar em nada... Não viveu... Sonhou... E dizem os poucos que sabem que foi feliz com o que nunca foi e triste com o que era... Nunca foi cheio, nunca foi vazio... Foi sempre assim assim... Mas pelo menos nunca foi o que não quis... Também nunca foi o que sonhou perguntavam-se todos muitas vezes... Eles nunca lhes respondeu, sorriu sempre apenas, com a resposta presa ao coração... "O sonho nunca poderia ser mais que isso, de um ter sido em sonho, de um não poder ser real, de um ser perfeito ali, no sonho... Nunca teria sido outra coisa, só poderia ter sido aquilo!! Foi sempre seu, foi sempre perfeito." Dela nunca se soube grande coisa, dele também não... Só se sabe que nunca foram... Foram uma vida inteira sem saberem, ou pelo menos ela... E serão-no sempre enquanto ele se lembrar e continuar a sonhar... Foram eternos, até onde a memória se lembra!! 

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
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Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."