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Alheio a uma realidade que me rodeia e que,
hoje especialmente, nao me interessa nadinha,
recordo a forma como caminhas para longe de
ti mesma... Recordo aqueles momentos, em que
em silêncio prometias ser diferente. Tinhas
objectivos distantes, que te adivinhavam um
caminho longo e dificil de percorrer, mas que
te davam um certo brilho, uma certa cor que
te diferenciava dos que te rodeavam e te
chamavam louca, nos chamavam loucos...
Recordo-me de como calculei que caminhasses
sempre em direcçao a ti, ao que te completava,
ao que te fazia acordar todos os dias com esse
timido sorriso nos lábios. Hoje reparo, que
afinal, além de termos caminhado para longe
de nós, também acabaste por caminhar para
longe de ti, para bem longe de ti... Juntaste-te
áqueles que caminhavam no sentido de todos os
outros, juntaste-te áqueles sem esperança
no horizonte, afastaste-te com um medo que
não era teu, de um futuro que merecia ter sido
teu... Tudo porque um dia te deixaste invadir
por ideias que nao eram tuas, por ideias que
podias ter mantido longe dos teus passos.
Mas preferiste render-te, ficar comodamente
no mesmo sitio, enquanto as coisas acontecem à
tua volta, enquanto outros buscam o futuro que
era teu. Um dia, um dia vamos voltar atrás e
vamos dar conta de que afinal, deviamos ter
continuado a caminhar juntos para o tal futuro
incerto e diferente, porque eu nao te limitava
e tu nao me conhecias limites. Um dia.

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …