terça-feira, 7 de junho de 2011

Verão

o mesmo inferno
de uma existência de quatro estações
(aos nove círculos sobre si mesma)
contudo com uma metereologia
mais favorável


pés turísticos havaianando
por montras que não podemos
comprar, olhando para filhos
que não podemos ter, de casais
com carros que nunca iremos
conduzir, concertos que não iremos
frequentar, estas e outras importantíssimas
lições de vida ( sem ainda sabermos
que as sevícias da vida pouco ou nada
nos ensinam),
bem ACIMA do
nosso poder aquisitivo


mas valha-nos o tempo,
que o sol brilha, a areia queima e a ondulação é perfeita,
surfando uma metáfora pelo tubo( com bandeira amarela)
da nossa afogada mas digna qualidade de vida,
ainda não vasculhando os bolsos para achar
uma moedinha para um Olá


Que deus, esse, deve estar lá para um éden fiscal,
em salutar convívio ( jactos privados, jóias e festas de cocaína)
com a troika santíssima e os adões e evas ceo´s das instituições bancárias,
que nos fazem pagar pelos nossos pecados consumistas


e falar em poemas é um falso alívio,
o descer da perna dormente
de um mero degrau da escadaria social,
como regressar da miséria à pobreza,
de puta a proxeneta,
de um sismo que não nos lega pedra sobre pedra,
a um país de alminhas em reconstrução, à mercê das armas,
saques, violações e corrupção governamental

Por: bruno sousa villar
Em: http://nomadaonirico.blogspot.com

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...