quinta-feira, 20 de agosto de 2009

De: Bruno Nogueira


Por vezes conhecemos um lado de uma pessoa e julgamos que esse lado é o unico com o qual podemos contar, mas por vezes essa pessoa pode ter um lado, nao menos valioso, escondido, que quando explorado é capaz de nos surpreender. Este é um desses casos, um grande humorista, criativo, original, com um excelente sentido de humor, tido como um "brincalhao", mas que surpreende pela sua capacidade em escrever.
Posso nao ser "grande", mas sou pequeno o suficiente para admitir um grande trabalho, ora aqui vai:

"As árvores dobram-se e voltam a si.
Insistem com as unhas ancoradas na terra para não perderem a morada.
Para mais do que isso falta-lhes a força.
Pessoas a apertar casacos no peito.
É sempre aí que apertam, com medo que fujam de lá as memórias penduradas por arames velhos.
Já foram bons, falta-lhes a manutenção.
Arrumam os cabelos no ponto de partida para eles começarem de novo um improviso nervoso.
Os cães ladram uns com os outros, entendem-se como podem.
Há folhas a serem empurradas rua abaixo até adormecerem junto a uma parede, onde lhes acaba a imaginação.
Contentores do lixo tentam fugir às escondidas de quem os vê.
Os semáforos abanam a cabeça a quem lhes pergunta as regras.
Os pássaros arrumam as asas em ponto morto e deixam-se levar para onde não querem.
É o vento a gritar o que pode, a organizar ideias até lhe faltar o ar.
A coreografar a terra com passos largos.
E é sempre assim.
Desarruma-se o mundo para depois se orçamentar quanto custa desarrumá-lo no sítio.
Faltarão coisas.
Mas as melhores nunca mudam de lugar."

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...