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Obstáculos


Nao foi, de certeza, por acaso que este senhor (Oscar Wilde) disse que "A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre", se repararem á medida que vamos "conquistando" as pessoas em nosso redor, há sempre uma imagem que se vai construindo e por muito boa que possa ser até, com o passar do tempo essa mesma imagem "perde a cor", já nao ha nada de novo a acrescentar e ficamos por ali, nao evoluimos porque achamos que ja nao somos capazes de surpreender... E é por isso que deviamos sentir a necessidade de começar a descobrir novos sitios, novas pessoas. Quando "ficamos" muito tempo no mesmo sitio, as pessoas tendem a criar uma imagem, que, boa ou má, se torna muito dificil de mudar independentemente do que façamos... Nao devemos "ficar" o tempo suficiente para que nos comecem a criticar, para que nos comecem a conhecer, até porque quando isso acontecer, nao vao parar de falar da tua vida até conseguirem denegrir essa tal imagem construida quer seja com verdades ou com "falsas verdades". A partir desse momento pertenceremos a essa classe mediocre aos quais a vida lhes é tao monotona que têm de falar acerca da vida daqueles que estao á sua volta. É bom, por isso e nao só, avançar, partir até um outro sitio, onde tenhamos mais uma imagem a construir, mais um desafio a superar, mais gente a quem surpreender e sobretudo, surpreendermo-nos a nós próprios com a quantidade de desafios que conseguimos ultrapassar, á quantidade de circunstancias a que nos conseguimos adaptar.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."