terça-feira, 4 de dezembro de 2012

À cabra cega

O tempo, esse sim, é uma coisa que me faz confusão e o facto de ter a plena noção que nunca o conseguirei controlar assusta-me um bocadinho... É como se caminhasse em direcção a um futuro desconhecido, sem saber se lá chegarei... O tempo tira-me a vontade, eu até quero ir, mas nunca sei se vou a tempo... E nunca sei se, ao ir, não vou apenas perder mais tempo. E acabo por ficar por não querer perder o tempo ao voltar. A sensação de que o tempo se nos foge dá-nos vontade de fazer tudo, viver intensamente cada momento, para que "amanhã" não me possa arrepender do que não fiz. Ao querer fazer tudo, acabas por te dar conta que não estiveste em nada inteiramente, passaste a correr por uma vida que tinha muito mais a dar-te que apenas uma corrida em direcção ao fim. E esse fim pode não ser uma meta e podes não ter um prémio à chegada. O fim pode representar o arrependimento, porque nem em todas as corridas se deve chegar rápido, há corridas onde o importante é ir devagar, vislumbrar o paraíso e ficar o tempo suficiente para o sentir. Há corridas que o importante é saber esperar, esperar junto aquilo que nos faz felizes e esperar que o fim venha, calmamente de encontro a nós. Muitos poderiam chamar-me comodista por não querer ir mais longe, mas o que esses não percebem é que eu posso já ter chegado onde queria e posso apenas estar confortavelmente "sentado" à espera. O que pode também não ser verdade e posso vir a descobrir que afinal deveria ter ido mais longe, talvez, caso isso aconteça volte a correr, com a certeza que será uma corrida ainda mais injusta, porque convém nunca esquecer que corremos contra o tempo, e o tempo tem um amigo que se chama imprevisibilidade que ainda dificulta mais as coisas... É como brincar à cabra cega.

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