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Onde foi que nos perdemos

Uma noite fria, de Inverno, como tantas outras, uma das tantas que
me faz voltar no tempo, até ti, até nós. Pergunto-me, com uma certa
saudade onde nos teríamos perdido. Recordo os pormenores que,
durante tanto tempo me passaram indiferentes. A forma como os
nossos olhares se foram procurando entre "multidões". A súbtil
forma como nos entendíamos sem nos falarmos, apenas com aquele
teu olhar de menina assustada, a implorar para que me aproximasse.
Recordo-me de como nos desentendíamos quando falávamos demais.
Eu sempre te disse que falar demais não nos levaria tão longe como
quando apenas nos deixávamos levar por instinto para todas as
aventuras que nos retrataram durante tanto tempo, sei que pensaste
o mesmo, sei que talvez ainda o possas pensar, mas eu, como sempre,
não o quis admitir, preferi deixar que o nada que te dizia fosse expresso
fosse expresso pelo tudo o que te não dizia, julgava-me capaz de
conseguir ser claro, mesmo às escuras do silêncio que te deixava sentir.
Recordo-me da quantidade de vezes que me pediste para que fosse
claro, mas tal como tão bem sabes, não era capaz de o fazer. Até
que um dia "alguém" me disse que não teria de o dizer, que certamente
haveria uma forma de o fazer, sem o dizer. Foste tu, há coisa de não
muito tempo. Por coincidência, falaram-me que o poderia escrever,
depois pensei, como deves calcular, que não irias entender e sírias a
correr, como que se para ti, tudo o que te poderia escrever não
importasse e teria de lidar com a tua indiferença. Depois voltei a
lembrar-me do que um dia havias dito com a clareza que só agora
consigo identificar. Pediste-me para não ter medo do que os outros
possam pensar, porque um dia o que os outros pensam iria mudar,
de acordo com a nova onda que os agitasse. E se há alguém que um
dia se há-de arrepender de não tentar, não serão eles, serei eu. Serei
eu a ver-te partir com alguém que de facto te demonstre aquilo que
tu sabes, mas não queres entender por entrelinhas, serei eu a lamentar
o passado que, afinal, poderia ter mudado no presente, serei eu a
sentir que nunca te disse o suficiente. E talvez nunca o faço, ambos
sabemos que nunca consigo dizer o suficiente, ambos sabemos que
fui criado com incertezas e mesmo que essas incertezas se comecem
a dissipar surgem-me novas procuras, que me levam a querer ter
outras inseguranças, outras incertezas, outros medos. Sim, eu sei, cultivo
o medo como se ele alimentasse a minha vida. Mas o medo, ao fim
de contas, não tem de ser um problema, poderá até ser uma solução.
Tal como deves calcular, tenho medo de te dizer o que sinto, mas
apercebo-me que esse medo é muito pequeno quando comparado
ao medo de te vir a perder um dia. E é com esse medo que ganho
coragem para agora te dizer, que, por muito que tente esquecer o
quão me és importante, tenho de o fazer, para evitar o medo do
arrependimento. Sei que vou cultivar outras tantas incertezas no
caso de voltarmos a ser o que fomos, o que no fundo nunca deixamos
de ser. Mas tenho a noção de que se continuar a não te dizer, por
medo, aquilo que queres ouvir tu nunca voltarás. E é esse medo
que me move neste momento, o medo de pensar num futuro onde
não existas, ou num futuro onde existas na realidade de uma outra
qualquer pessoa. Sei que não vou a tempo de corrigir todos os
erros do passado, mas sei que ainda vou a tempo de cometer
muitos erros no futuro. E quero que esses erros, esses medos,
essas incertezas sejam partilhados contigo. Porque se forem partilhados
com qualquer outra pessoa, serão sempre isso, só medos, medos
que jamais terei vontade de ultrapassar, porque por muito que penses
que não, és a força que me move, és a vontade de lutar que tanto
procuro dentro de mim e que só consigo encontrar em ti. És, e serás,
a razão pela qual enfrento o mundo, que ao fim de contas, está tão,
ou mais assustado que eu, a grande, e talvez a única, diferença é o
apoio, a confiança de, ou em alguém. E a minha és tu, sempre tu.

Em tom de ironia... Obrigado Google.

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