Avançar para o conteúdo principal

A vaca que secou

"Era uma vez uma vaca, que comia feno e produzia leite.
A vaca era de todos e todos precisavam de organização.

- Quem dá de comer à vaca?
- Eu dou.
- Eu não.
- Quem ordenha a vaca?
- Eu faço.
- Eu vou.
- Eu não.
Mas que grande confusão!
De entre todos, alguns assumiram a responsabilidade de gerir a situação.
Para facilitar a distribuição de tarefas, a vaca foi “dividida”, metade era tratada por uns, outra metade por outros e ficava assim a situação resolvida.
Uns tratavam de arranjar o feno, outros tratavam da ordenha.
Tudo se resolveu, que bem que funcionava este sistema!
Mas pouco a pouco, um facto emergiu, era preciso tanto feno para produzir tão pouco leite, algo que nunca se viu.
Arranjou-se mais feno e mais feno e mais feno mas não vinha nem leite, nem queijo, nem manteiga!
Tanta gente a tratar do feno, porque não havia mais leite, algo que se veja?
Foram então uns perguntar a outros:
- Então? Nós que damos tanto feno, recebemos tão pouco leite, por que razão? – a resposta foi breve
- Não sabemos quando o feno pode acabar, estamos a gerir o leite para o assegurar.
Parecia lógico, bem pensado, uma boa precaução.
Mas algum tempo depois, veio o mau tempo e o feno escasseou.
Preocupados, uns foram ter com outros:
- Não temos mais feno, ainda bem que guardaram algum leite.
- Não há leite guardado – disseram os outros e isto gerou confusão.
- Como podem não ter leite se não nos deram a nossa parte para o caso de um dia não haver feno?
- Que disparate! Sem feno não há leite, palermas. – isto gerou uma grande discussão.
- Onde está o nosso leite?
- O leite é nosso. Sai da nossa metade.
- Mas sem feno não têm leite.
- Exacto, sem feno não têm leite.
- Queremos o que temos direito.
- Tragam feno e nós damo-vos leite.
- Já vos demos tanto feno e vocês não nos deram a nossa parte do leite.
- Querem o que têm direito? Tomem o estrume, já ajuda para o feno.
Uns ficaram sem leite e outros beberam o leite que tinham… até já não ter.O leite acabou. Sem feno, a vaca secou, definhou.
Foi então que com a aflição todos se aperceberam, uma vaca que não dá leite, é uma vaca que dá carne e todos foram a correr para a comer.
Quando só o esqueleto ficou, todos discutiram para perceber o que falhou.
- Foi o feno que faltou.
- Foi o leite que não chegou.
Até que uma voz se ouviu:

“Foi a divisão que não resultou. Uns alimentavam e outros bebiam. Uns descuravam e outros abusavam. Partilhar as metades, partilhar o fardo da alimentação e a alegria da produção, era essa a divisão.”

Que triste conclusão, depois de tanta disputa e porque não souberam partilhar, comeram a vaca do quintal, a vaca de seu nome Portugal.
- Que fazemos agora? – perguntavam com aflição.
outra voz surgiu e indicou:

“Olhem ali, no outro quintal, há outra vaca, e esta não nos vai deixar ficar mal. Esta tem leite de certeza ou não seja ela a vaca global."

Que nunca nos falte a mama, porque mesmo com a teta seca, mamamos até ao tutano.

*Uma lição que não se aprende, é um erro que se repete, agora com licença que se não me apresso comem o meu bife e aqui o palerma é que emagrece."

By: Rafael Videira

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …