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À medida

E à medida que o tempo passava questionava-se sobre e onde a vida o levaria. à medida que os anos iam passando iam ficando menos dias... Iam ficando mais coisas por fazer... As escolhas de um qualquer dia iam reflectidas pelo futuro em diante, um futuro que tinha cada vez menos dias, cada vez menos escolhas, cada vez menos opções, cada vez menos vida, cada vez menos magia, cada vez menos verdade... Não é que fosse velho... Ainda... Não é que se tivesse arrependido... Ainda... Mas já passaram muitos dias, muitas decisões, muitas dúvidas e demasiadas certezas incertas... À medida que o tempo lhe fugia da vida percebia que já não podia errar tanto, que já não podia alegar não saber das consequências... E o tempo, esse que nunca pára, esse de que tudo se lembra, esse de que dizem curar tudo... O tempo que antes parecia demais, hoje torna-se de menos... Errar já não é possível, viver o impossível já é só gastar dias... Continuar a sonhar é um gastar de horas... Acreditar na mentira é tentar enganar o tempo que nunca nos enganou, e que nunca se engana... À medida que os dias se tornam meses e as noites grandes em dias difíceis é tempo de parar, de ponderar, de decidir, de acreditar em alguma coisa, diz que à medida que os meses se tornam anos e os anos se tornam décadas fica uma vida para trás... Não fica mais nada, fica o que se fez, as decisões que se tomaram, as pessoas que se conseguiram cativar, ficam as oportunidades que nos fugiram, as oportunidades que deixamos fugir, as oportunidades que não pareceram sê-lo a tempo de o serem... Fica um corpo enrugado... E se os dias forem deitados fora, anos serão perdidos, vidas serão desperdiçadas... Agora, agora que ainda se podia questionar tentava perceber se o caminho que sempre tomara seria o correcto, tentava perceber até onde seria possível acreditar, ponderava parar... Parar para respirar, para perceber, para entender... Mas o tempo, o tempo dizia-lhe que se não podem perder dias, que um dia perdido é um pouco de vida não vivido... Lutando contra o tempo foi perdendo sempre, o tempo tinha sempre razão... As decisões de trás já lhe haviam ensinado que muitas histórias acabam de maneiras iguais mesmo com personagens diferentes e que as mesmas personagens poderiam acabar de formas diferentes... E enquanto o tempo passa e nos leva a vida com ele... Resta-nos tentar ficar com o que nos significará alguma coisa amanhã... Amanhã, quando o tempo nos provar que já não podemos continuar e teremos de parar... E ele, ainda que perdido no tempo e não encontrado na vida, procura o seu espaço... Um espaço onde o tempo se não atreva a entrar e a perguntar se valeu a pena... Um sítio seguro, onde se possa sentar a olhar para trás e agradecer todas as escolhas feitas... Procura-se a si numa vida que mais lhe não trará que a morte. E tenta encontrar-se, tenta encontrar-se nas decisões já tomadas, nas oportunidades já perdidas e na verdade... Na realidade que esteve sempre à sua frente escondida... À medida que o tempo passa não nos restam anos, restam-nos dias... E à medida que os dias lhe parecem menos só quer viver de verdade, não quer viver de mentira, do que não é... Quer viver... E se ser feliz lhe parece impossível, tenta pelo menos ser ele próprio agora... E por um breve momento... E o tempo que se diz nunca parar, de quando em volta pára para lhe ver o sorriso no rosto, o sorriso de quem conseguiu aqui e acolá ser feliz para lá do tempo, para lá do espaço... Para quem conseguiu viver um momento, para quem durante um bocado conseguiu ser perfeito. E esses momentos só são verdadeiros e reais quando partilhados... E ele sentia-se assim, completo e inteiro de quando em volta... E diz-se que seria assim até ao fim, até quando o tempo se não lembrasse mais e o deixasse ir sossegado, sem lhe colocar mais dúvidas e mais incertezas e o deixasse ser até sempre...

Comentários

  1. Procurar o espaço... sempre sossegado :)

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

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"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …