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Nunca se perde inteiramente

Quando o mundo se juntava para o derrubar fazia-se rodear das pessoas que lhe seguravam o mundo... Os seus pilares... Enquanto aqueles pilares, os que sempre o sustentaram e sempre o apoiaram e nunca o questionaram, o aguentassem não perdia, não se perdia... Era neles que se tentava segurar, eram eles que lhe diziam calados quem era. E mesmo quando tudo se julgava perdido respirava fundo, perto daquele ou daquela que um dia poderia ir, mas que ainda ficava e ficaria para sempre mesmo que fosse. Era como que se na calma deles encontrasse o próprio equilíbrio, num mundo falso de vaidades e de mentira, de invenções e desilusões. Era o estar aflito e aos poucos ser abalroado por uma calma que lhe dava força para mais um dia. E enquanto assim fosse diz-se que aguentaria uma vida ou duas. Enquanto todos os que o julgavam ter derrubado o achavam, ele recuperava perto daqueles que se não importam de se entregar como derrotados por uma vitória maior. A vitória da amizade, do amor, do que é verdadeiro... E enquanto os outros, aqueles que não sabiam o verdadeiro sentido de poder sossegar abraçado a alguém que só sossegaria depois de o respirar ser possível sem esforço e pesar, julgavam ter ganho mais uma batalha, ele sabia que tinha ganho um bocadinho mais de amor, de esperança, de vida, um bocadinho mais de alegria. E depois, um dia, quando todos o julgassem destruido, todo ele era reconstruído de coisas verdadeiras, de momentos perfeitos, de lágrimas sinceras, de alegria inquestionável. E enquanto assim fosse ele e os outros, os que com ele seguravam mundos e destruíam pesadelos, poderia sonhar todas as noites. Podia sonhar em ser feliz e poderia julgar-se intocável, inteiro. Podia julgar-se "invicto" ele e os que se deixaram perder para poderem ganhar.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."