sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O fim?!

E andamos nós, todos os dias, quase sem excepção, a correr atrás da velhice, da reforma, do "dolce fare niente" só e apenas para que quando lá cheguemos consigamos lidar mais ou menos com o fim, digo eu... Até porque chegar à reforma é mais ou menos isto, ter tempo para tudo... E esse tudo é o quê? É comer sopa todos os dias, deitar cedo, não só para descansar o suficiente mas talvez para suportar mais um dia que se aproxima, levantar cedo, sentar numa cadeira na varanda a ver o tempo arrastar-se com as pessoas que escorregam inocentes para uma velhice que desejam. Sim, isto não é como querer ter 18 anos para poder conduzir. Nessa altura só queremos é um carrinho, loucura, diversão e energia para aguentar tudo e mais alguma coisa que por aí venha. E mesmo assim acaba por ser uma pequena desilusão, agora é só imaginar a velhice, a falta de energia, a falta de vontade, é imaginar quando chegará o fim, o fim de tudo, é desejar viver mais um dia para continuar a ver aqueles que escorregam e dizer "vá, vai devagar, aproveita agora que és novo, que com a minha idade não queres nada, não tens nada"... E agora pergunto-me assim como quem não quer a coisa... Vale a pena? Esperar tanto tempo por aquilo que mais não será que o inicio do fim? E no meio de tudo isto, não deveríamos nós arriscar tudo, fazer tudo, lutar por tudo, cair por tudo, levantar por nada, correr só porque sim, viver? Eh, algo me diz que sim... E que se não, no fim vamos provavelmente arrepender-nos do que acabámos por não fazer...

E isto saiu-me porque a velhinha televisão da sala queimou e não há volta a dar, vai ter de usar fralda e ficar sentada no móvel a ver-nos sentados no sofá, como quem espera pelo fim, que mais não será que voltar ao infantário e ser vítima de bullying (é assim que se escreve, no meu tempo era "levar na boca") por fazer xixi na fralda.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...