E ali estava, longe de "a quem" queria pertencer, longe de ser quem queria ser... Aquele sítio que sempre fora seu perdia força, perdia sentido... Sentia vontade de segurar o tempo que lhe fugia por entre o coração, sentia vontade de controlar o tempo de trás, de dizer o que jamais seria dito... Perdia-se em si, perdia-se de onde não era por não ser de lá... E assim, perdido de si, perdido em si dos outros gritava o que ninguém conseguia ou poderia ouvir... Todos o julgaram mudo, todos o julgaram perdido e ninguém era capaz de o ouvir... Nada era o que sentia dizer, e inaudível todo ele ficou para sempre.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
domingo, 28 de dezembro de 2014
O dia corre cinzento lá fora, o dia corre escuro dentro de si... Sem nada que aparentemente o possa deixar mais escuro que a alma de alguém que tudo perdeu e nada pode ganhar, sente-se escuro e frio e vazio... Vazio de sentido, desprovido de futuro, perdido de sonhos, perdido de tudo. E a vida, essa dança multicolor, continua, hoje escura, amanhã, talvez, cheia de luz... Porque a vida é isto, magia a perder de vista e quando se perde a magia que nos faz brilhar, resta-nos o não brilho... E um dia, quando a vida for só "não brilho" que os momentos de magia o encham por dentro, caso contrário esbarrou com o fim.. O seu fim...
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Partir
Uns partem do princípio, outros partem do fim. E a vida é isto, um partir sempre para outro lado,. Por pouco sentido que faça, por muito que custe, por parecer impossível é preciso partir, partir sempre. Tanto que a vida é sempre a "partir" que no fim parte-se da vida.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
ESD ESL
E a vida nunca é muito mais que nada... Nunca é muito mais que um deixar de ser, um desaparecer em nós, um desaparecer nos outros... Os momentos fantásticos de sempre passam a ser passado irrepetível, os telefonemas de vontade passam a ser uma mensagem anual de boas festas, os momentos partilhados deixam de ser e aos poucos somos nada, somos uma memória perdida em quem já não nos encontra... Somos um silêncio calado nas noites sem barulho... Podemos tentar e acreditar que ainda fazemos algum barulho e gritar, gritar para nunca mais sermos ouvidos... E o fim, dia após dia nos leva para longe de quem fomos e do que quisemos ser, a cada dia o fim puxa-nos para a verdade... A vida é uma longa caminhada para o nada.... E no fim, somos vazio, somos um buraco de memórias, um emaranhado de sonhos perdidos e de vidas desfeitas, um conjunto de desencontros, uma perda de tempo nesse que é de sempre... O fim... E no fim sabemos que ao menos não perdemos sozinhos, o "fim" perde connosco...
domingo, 30 de novembro de 2014
.f
Não foram tão poucas as vezes que lutara contra a perda. Era inconcebível no pensamento dele que perder fosse uma possibilidade, pelo menos uma perda sem luta, sem raiva, sem garra. O perder, perder de braços baixos, de olhar preso ao chão, aquele perder de quem não luta não fazia sentido, nunca o havia feito em si. No entanto, via-se diante da perda, depois de lutar, depois de se vencer a si, depois de tentar vencer o mundo, depois de tentar vencer a razão... Nada a fazer, pensava... A cada minuto que passava a perda ganhava força e forma, era inevitável. "Seria então uma perda?" perguntava-se. "Não teria sido apenas uma vitória durante todo o tempo em que lutara contra o impossível, contra a sonho não realizável?" E, no meio de toda a confusão entre vitória e derrota, de decisão e não decisão, de tristeza e a alegria... O sentimento era o mesmo, era um saber perder sem razão, era um saber não ganhar o que sempre seria... E o sentimento de vazio, quer tenha sido uma pequena vitória ou uma grande derrota, era o mesmo... Era como que se arrancassem a cor ao mundo, era como que se o mar corresse acima das nossas cabeças e a areia nos ficasse sempre entre pés... Era como que se o sol brilhasse abaixo do chão e o céu fosse sempre escuro... Era como que se tivessem cortado a a magia no céu e as estrelas desaparecessem como que por "não magia"... O mundo tornara-se frio, escuro, tornara-se num sítio onde se vivia a peso, a medo, a pena... E nem o sol que lhe aquecia os pés lhe consolava a alma... Perdera-se a ilusão, perdera-se a vontade de voltar a acreditar. Perdera-se o sentido, perdera-se tudo... E no entanto sabe que ganhou, que ganhou o suficiente para tudo a partir dali ser perda. E é o saber do que se nunca saberá que apaga o céu e não mistura as cores.
domingo, 16 de novembro de 2014
Nunca serás... Até ao fim
E... À noite, quando a luz se vai e os medos e o escuro e a verdade te surgem e te acordam do dia que sonhavas, Percebes que lutas e lutarás sempre por um nunca será, que chega a ser enquanto não encostas o corpo à cama e à alma à verdade. Quente pelo sonho, deitaste ainda morno, para começar a gelar no calor que só se faz sentir à superfície... O futuro, esse, há-de vir cheio de nada, cheio do que nunca foi... E vais deitar-te assim, até ao fim dos dias, com quem nunca foste... Vais crescer como quem nunca cresceu realmente. Vais viver como quem já viveu mil anos e hás-de morrer como quem ainda não nasceu. Envolto em sonhos serás sempre feliz, à luz da realidade serás vazio. E no fim quando a luz e o escuro se misturarem, serás só mais uma sombra que vagueia sem norte, sem razão, sem rumo, sem um porto seguro... Sem casa, à procura do que nunca seria, mesmo quando encontrado. À procura do que nunca foi, e do que nunca será serás sempre mentira. Serás a farsa que te não viu viver, tão pouco nascer... Serás vazio, serás nada, serás só a sombra de quem nunca foste.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...
-
Mais uma manhã de chuva, daquelas manhãs que dá vontade de não deixar ir embora porque nos embala num sono em que se fica acordado e se par...
-
Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...
-
Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, v...