sábado, 31 de março de 2012

Sim, de facto há uma altura em que o "mundo" sem ti
faz pouco sentido... Mas foi esse o sentido que me
impuseste, é nesse sentido que eu caminho, amanhã
não me critiques... culpa-te...

terça-feira, 27 de março de 2012

E sempre que te deixares levar pelo que poderíamos ter sido, nunca vamos ser o que podemos ainda vir a ser...

segunda-feira, 26 de março de 2012

No dia 8 de Junho de 1972, um avião norte-americano bombardeou com napalm a população de Trang Bam. Ali encontrava-se Kim Phuc e a sua família. Com a roupa em chamas, a menina de 9 anos fugiu. Nesse momento, quando as suas roupas tinham sido consumidas, o fotógrafo Nic Ut registou esta imagem famosa. Foi ele que, de imediato, a levou ao hospital. Permaneceu lá 14 meses e foi submetida a 17 operações de enchertos de pele. Hoje, Kim Phuc, está casada, tem dois filhos e vive no Canadá. Preside a fundação Kim Phuc, dedicada à ajuda a crianças vítimas da guerra e financia a UNESCO.

domingo, 25 de março de 2012

A insustentavel leveza do ser

"Foi na Feira do Livro de uma pacata vila ribatejana que os meus olhos revisitaram A Insustentável Leveza do Ser, título paradoxalmente engendrado por Milan Kundera. Ali, tomei a resolução de arriscar galgar os tortuosos degraus da escada que me conduziria ao patamar da escrita arrevesada que (imaginava eu) compunha aquela obra. Equivoquei-me.


Aplaudida por uns, criticada por outros, A Insustentável Leveza do Ser flutua sensivelmente entre o romance filosófico e a mera narrativa amorosa, o retrato de uma época e o relato tipicamente ficcionado. Mas, acima de tudo, este é um livro que explora, de forma ímpar e realista, as vastidões desse misterioso território que é o amor.
Assim se apresenta a história: um cirurgião checo, divorciado, vive enovelado naquilo a que dá o nome de «amizades eróticas». Conhece Tereza, uma empregada de café, numa deslocação que, por mero acaso, tem que fazer à província. Apaixonam-se.
Mas esta não é uma paixão comum (e existirão paixões comuns?). É antes um enleio de sentimentos contraditórios, de dar sem saber o que pedir em troca, de infelicidades indefinidas, de vazios mentais cheios de nada, de uma estranha forma de amar traindo, de viver num limbo constante entre a felicidade desmesurada e o precipício.

E descolamos. Viajamos aos bastidores do romance, em que Kundera nos desarma e nos fala não como narrador, mas como escritor, não como Ser omnisciente, mas como construtor de uma realidade que tem muito de auto-biográfica.

Respiramos fundo. Num compasso marcado pelo peso da leveza introspectiva, cruzamo-nos com a cadela de nome inspirado no romance de Tolstoi, imaginamos Sabina, a tremenda pintora e irresistível amante de Tomáz, aguçamos a curiosidade de ler O Rei Édipo, espantamo-nos com sonhos que julgávamos reais e com realidades que não pensávamos tangíveis. Reflectimos sobre o acaso, a alma, a morte e o amor. O amor.

Terminamos. Percebemos um autor marcado pela mão pesada do comunismo soviético, um país (Checoslováquia) mergulhado numa profunda crise de identidade e, fundamentalmente, um povo fustigado pela – e com raiva da – ditadura imposta.

Fechamos o livro. Gostamos, ou não, de Milan Kundera e das suas asserções. Descobrimos que de complicado tem muito pouco, que escreve simples sobre coisas complexamente bonitas e que gosta de números, de dividir a sua obra de forma a (também) fazer dela um instrumento de análise para aquela ciência gira: a Numerologia."

Hugo Beja

sexta-feira, 23 de março de 2012

E foi, por todas as dúvidas que eu senti ter,
por todas as certezas em que disseste crer, por
todas as incógnitas que o futuro poderia trazer
que não tive medo algum de te perder.

E agora que sei poder perder-te, só tenho medo
das feridas que podem voltar ao toque do teu dedo
A esse teu jeito inocente de me fazer culpado
de um passado presente que não passará de desperdiçado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Morte súbita

não quero morrer às vezes.

quero morrer em bloco
mas também
não quero que seja entre

o espaço e o tempo

porque entre o espaço
e o tempo
não há um para sempre,

nem nunca houve.

De: Sylvia Beirute



* Porque acho que não é preciso escrever muito
para dizer outro tanto.

sexta-feira, 16 de março de 2012

"Durante muito tempo, julga-se que a vida é uma linha recta, cujos extremos se enterram a perder de vista nos confins do horizonte: e depois pouco a pouco, descobre-se que a linha é cortada e se encurva e que as pontas se aproximam, se juntam... O anel vai fechar-se, começa-se a ser um velho que já não sabe senão evoluir no seu círculo."

Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...