sábado, 13 de abril de 2013

A felicidade é

Tenho um amigo advogado. Mesmo amigo e mesmo advogado (daqueles que já ganham dinheiro). Não vinguei, mas vi vingar! E vi vingar um dos melhores, talvez o melhor. Boa sorte! Os bons são sempre assim... Escolhidos. Parabéns!

domingo, 7 de abril de 2013

Since then


Since I was a little child, I thought that I was different from all the others.
Since that time I tried to paint my world with colors that no one had yet 
invented. Attempted, based on the imagination that my eyes still couldn’t 
create, build a magnificient future. Still thought that my passion for everything
that was special was going to take me to what my imagination had created 
for me. I walked a lot of time alone, as a lost ghost on the salvation way. 
I walked without fear of making mistakes, cause when walking to my dream, 
in reality there was no space for errors. Others thought were mistakes, cause 
they could not interpret my unreality. It was not real, I could not yet make 
them see. And while everyone think I failed, I keep walking towards what I 
think be my perfect conception of life. Meanwhile, though the other’s eyes, 
I still always seem to miss. Those others, maybe one day, can understand 
that I built my future in a reality that doesn’t belong to their world, a reality 
that they would never imagine. And only those who walked and walk with 
me will understand and belong to this world, the others will stay out thinking 
of all the mustakes that lastly I did not commit. So, if I fail completely, 
I will always have the satisfaction of having pursued my dreams against
everything. It will comfort me and warm me on the coldest nights of Winter. 

sábado, 6 de abril de 2013

Seria tão fácil se não tivéssemos medo

No rosto trazia as marcas das suas experiências... No entanto, nos seus olhos era evidente a calma, a inocência, o olhar de quem nunca se arrependeu de passo algum dado, tinha o sorriso carregado de alegria, alegria essa que ninguém adivinhava depois de a ver ali, na rua, uma sem abrigo como todos ingenuamente lhe chamariam. Ali estava ela, sem vergonha, com a voz firme, confiante de que algum de nós lhe iria pagar um pão com queijo. Não falhou, entre todos nós, aparentes miúdos carregados de maldade, algum iria com toda a certeza pagar, porque quem está de dentro sabe os que de fora não imaginam sequer. E esta senhora, que aparentava ainda se não ter afastado do olhar atento de Deus, sabia que éramos muito mais, seriamos como ela se conseguíssemos. Entre uma e outra palavra que acabaria por ser uma longa e cativante conversa, lá nos explicou que já fora uma senhora rica, que dera tudo para a caridade à excepção da sua casa, sim, da sua casa, casa essa que viera a perder mais tarde. Diz apenas arrepender-se de não a ter dado também, afinal roubaram-lha à vista de todos sem justiça. Podia ter sido salva se pedisse ajuda. Mas ajuda era o que não queria, porque ela só queria ajudar. Hoje, ao vê-la pedir um pão torna-se difícil imaginar que já vivera como a maioria gostaria, o que a diferencia dos demais é que nunca temeu largar tudo para dar de comer a uma criança faminta em mais um dia sem escola. Era essa leveza que lhe dava aquele sorriso, aquele sorriso que irradiava felicidade. Disse-nos saber distinguir bons corações. O tempo que viveu pelas ruas ensinou-a a saber com quem contar, coisa que nunca aprenderia a viver na abundância que já a havia cercado. Perguntou-nos em tom de ironia querida, do que afinal tínhamos medo. Uns do futuro, outros do passado, outros de mais tarde ou mais cedo poderem vir a estar numa situação semelhante à dela, ao que ela calmamente respondeu "nunca estarás numa situação semelhante à minha, porque eu podia ter tudo, mas escolhi ter mais". E foi com esta frase que quase se despediu.
Mais tarde, já chegados a casa, a frase surgiu em tom de dúvida existencial. Afinal para onde caminhávamos todos com medo, tínhamos medo do quê afinal, de perder a comodidade que nos embala? Se largássemos tudo, como ela, não teríamos nada a perder, seríamos nós, seríamos autênticos. Íamos depender da boa vontade dos outros, mas também íamos aprender a não rotular miúdos como nós, como tantas vezes fazemos, íamos aprender a distinguir entre uma multidão, a pessoa certa. Não procurámos nós afinal entender o mundo que nos rodeia? Qual será então a melhor maneira de o fazer? Não será vivendo com a leveza daquela velhinha? Estas questões ficaram todos no ar. Deitámos mais um cavaco à lareira e deixá-mo-nos ficar confortavelmente sentados à lareira. Ali tínhamos a nossa resposta, mais não somos que isto, comodismo, vontade de ficar quietos, vontade de nos sentirmos seguros, num mundo onde, para nós, mais não há que insegurança. E lá fora estaria a senhora, envolta por um calor que brotava dela própria, um calor que além de aquecer brilhava e iluminava o caminho daqueles que queriam ver.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Do que éramos para o que não somos

Continuas a ser a pessoa que mesmo chegando antes, demorou demais, porque não é no tempo que te espero, espero por ti antes de nós. Continuas a ser tu a fazer-me perder a noção do tempo que os dias nos arrancam à  alma. Quando finalmente chegas, tudo mais não é que saudade, saudade que alimenta as noites, onde o tempo parece ser o espaço que sempre nos há-de separar. És tu que preenches todos os meus dias, todas as minhas noites, ora com a tua presença, ora com a tua ausência. Sim, és sempre tu que me preenches, mesmo quando dizes que me odeias por te perder quando me encontras. Respiro em ti à procura da saída de nós e sinto-me sufocado ao descobrir que a saída somos só nós. Sinto que ao abraçar-te, abraço o universo inteiro, sinto que todo o universo nos envolve, evitando que soframos. E mal desentrelaçamos os braços, para mais um até já, sofremos como se nunca tivesse havido antes. Sabemos que esse "até já" pode ser um espaço intemporal, que se nos irá voltar a impor. E depois de muitos dias e muitas noites, voltarás a encontrar-me e eu voltarei a perder-te, como sempre, como antes. Descobrimos com assombro que embora juntos, não mais somos que solidão. Caminhamos, acompanhados por uma solidão nossa, pelo mundo para nos voltarmos a encontrar, para nos voltarmos a perder. Somos sempre perda que se encontra e se volta a perder. Somos como que uma causa perdida, vamos morrer ainda cheios de vida, de vida que não chegámos a viver. Mas vamos viver como o nada que no fim foi tudo, porque nunca mais fomos do que vontade. E como não somos deuses para tornar eterno o efémero, não seremos mais que vontade de voltar para nos perdermos. Já fomos isto.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dos que nos visitam e pouco deixam e nada levam

Convidou-nos... Ainda não sabíamos bem onde morava, mas lá fomos. Chegados a casa deles demos conta de uma mesa recheada de comida, comida essa que daria para três meses. Ao longe ouve-se uma música de fundo, a lareira arde calorosamente, enquanto entre um ou outro trago do melhor vinho da região aquecemos a alma, que não nos parece tão pequena nestes dias. Ela senta-se ao piano e mostra-nos o que tem aprendido nas aulas de música clássica ("muito bom" diz-lhe a minha mulher em tom de incentivo e admiração). É tarde, diz-me ela. Abandonámos o confortável sofá que nos embalava ao som do que ele tocava na guitarra, "no fundo horizonte" foi onde parou. Ao sair cumprimentei-os efusivamente deixando no ar um convite para nos visitar num futuro próximo, convite esse que eles aceitam com um certo carinho. Saímos. Diz ela:

- Porra viste bem a toalha de mesa que eles colocaram para nos receber?
- Sim, e a comida?? Nem uns camarões nem nada.
- Realmente, acho que merecíamos bem mais.
- E a música já me estava a irritar, queria ver a novela.

Ainda não os convidámos a vir cá a casa, no entanto vamos lá todas as Terças Feiras.


Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...