terça-feira, 3 de abril de 2012

Seria só mais um dia por ali, mais um dia de trabalho habitual... Seria... Até
que o inesperado acontece, dentro da loja encontra-se a mão e a recém
nascida. O pai, está cá fora, sossegado, a fumar mais um cigarro, mais um...
De repente, uma explosão, um mar de chamas que se lhe segue, os gritos
dos que por ali passam, o desespero, o medo, um pai desolado e uma familia
envolta nesse cenário de destruição e desgraça. Nada aquele pai poderia fazer,
os bombeiros foram chamados e há um que se adianta a todos os outros.
Ao chegar tenta apoderar-se da realidade, enquanto o pai em desespero o
insulta por nada fazer, acusa-o, ataca-o, critica a sua passividade, o normal.

- Entre, não vê que a minha família corre perigo, não sei sequer se estão vivos!

- Vamos tentar manter a calma, qualquer passo mal dado ditará um fim desnecessário.

Entre uma e outra palavra menos simpática, o bombeiro apela ao bom senso.
Encontra uma estratégia e entra mesmo antes do primeiro carro de bombeiros chegar.
Lá dentro encontra um verdadeiro inferno, mas, sem medo, continua a avançar
para os gritos de socorro que se adivinham da próxima divisão. Chega até lá e
encontra a família do homem que tanto o insultara à chegada. Tenta encontrar uma saída
e lá o consegue a muito custo. Cá fora, a família reencontra-se, enquanto o bombeiro
desaparece sem esperar sequer que o homem que tanto o criticou se desculpe...

Ninguém diria que perdera toda a sua família numa situação parecida, ninguém diria.

Ei, tu

Tu que almejaste grandes amores, não passas de mais um(a)
que por aí anda, incapaz de arriscar um pouco para ter um
pouco mais, tu que por aí te passeias sem direcção, não tens
a coragem de ir para longe com esse medo de te perder, onde
afinal até acabarias por encontrar aquilo por que tanto almejaste!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Porque muitas vezes até te apetece ficar, mas as pessoas cometem tantas e tantas vezes os mesmos erros, que te começa a ser impossível tolerar um "da próxima vez não será assim!

sábado, 31 de março de 2012

Sim, de facto há uma altura em que o "mundo" sem ti
faz pouco sentido... Mas foi esse o sentido que me
impuseste, é nesse sentido que eu caminho, amanhã
não me critiques... culpa-te...

terça-feira, 27 de março de 2012

E sempre que te deixares levar pelo que poderíamos ter sido, nunca vamos ser o que podemos ainda vir a ser...

segunda-feira, 26 de março de 2012

No dia 8 de Junho de 1972, um avião norte-americano bombardeou com napalm a população de Trang Bam. Ali encontrava-se Kim Phuc e a sua família. Com a roupa em chamas, a menina de 9 anos fugiu. Nesse momento, quando as suas roupas tinham sido consumidas, o fotógrafo Nic Ut registou esta imagem famosa. Foi ele que, de imediato, a levou ao hospital. Permaneceu lá 14 meses e foi submetida a 17 operações de enchertos de pele. Hoje, Kim Phuc, está casada, tem dois filhos e vive no Canadá. Preside a fundação Kim Phuc, dedicada à ajuda a crianças vítimas da guerra e financia a UNESCO.

domingo, 25 de março de 2012

A insustentavel leveza do ser

"Foi na Feira do Livro de uma pacata vila ribatejana que os meus olhos revisitaram A Insustentável Leveza do Ser, título paradoxalmente engendrado por Milan Kundera. Ali, tomei a resolução de arriscar galgar os tortuosos degraus da escada que me conduziria ao patamar da escrita arrevesada que (imaginava eu) compunha aquela obra. Equivoquei-me.


Aplaudida por uns, criticada por outros, A Insustentável Leveza do Ser flutua sensivelmente entre o romance filosófico e a mera narrativa amorosa, o retrato de uma época e o relato tipicamente ficcionado. Mas, acima de tudo, este é um livro que explora, de forma ímpar e realista, as vastidões desse misterioso território que é o amor.
Assim se apresenta a história: um cirurgião checo, divorciado, vive enovelado naquilo a que dá o nome de «amizades eróticas». Conhece Tereza, uma empregada de café, numa deslocação que, por mero acaso, tem que fazer à província. Apaixonam-se.
Mas esta não é uma paixão comum (e existirão paixões comuns?). É antes um enleio de sentimentos contraditórios, de dar sem saber o que pedir em troca, de infelicidades indefinidas, de vazios mentais cheios de nada, de uma estranha forma de amar traindo, de viver num limbo constante entre a felicidade desmesurada e o precipício.

E descolamos. Viajamos aos bastidores do romance, em que Kundera nos desarma e nos fala não como narrador, mas como escritor, não como Ser omnisciente, mas como construtor de uma realidade que tem muito de auto-biográfica.

Respiramos fundo. Num compasso marcado pelo peso da leveza introspectiva, cruzamo-nos com a cadela de nome inspirado no romance de Tolstoi, imaginamos Sabina, a tremenda pintora e irresistível amante de Tomáz, aguçamos a curiosidade de ler O Rei Édipo, espantamo-nos com sonhos que julgávamos reais e com realidades que não pensávamos tangíveis. Reflectimos sobre o acaso, a alma, a morte e o amor. O amor.

Terminamos. Percebemos um autor marcado pela mão pesada do comunismo soviético, um país (Checoslováquia) mergulhado numa profunda crise de identidade e, fundamentalmente, um povo fustigado pela – e com raiva da – ditadura imposta.

Fechamos o livro. Gostamos, ou não, de Milan Kundera e das suas asserções. Descobrimos que de complicado tem muito pouco, que escreve simples sobre coisas complexamente bonitas e que gosta de números, de dividir a sua obra de forma a (também) fazer dela um instrumento de análise para aquela ciência gira: a Numerologia."

Hugo Beja

Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...