segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A mudança

Isto qui vai mudar. E vai mudar porque está a
ficar muito "escuro". E dizem-me que o que
escrevemos reflecte aquilo que sentimos. E eu,
que até me sinto bem, não quero ser apontado
na rua como o menino que anda todo negrinho
por dentro. E chateiam-me aquelas pessoas de
mau humor logo de manhã. E ao fim do dia e
durante o resto do dia, entediantes pah.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Da gaveta...

Ali estavas tu, alheia ao mundo, alheia a mim, lá fora chovia torrencialmente, o caos acabara de se instalar nas ruas do Porto, no bar onde nos encontramos (e acabaria por ditar o nosso desencontro) a fumo instalara-se há muito, as portas estavam todas fechadas, inalavas o fumo que tanto odiavas, enquanto te "distanciavas"
de mim, eu aproximava-me do teu objectivo, e por ali fiquei a beber copos com aqueles que se me nao alheiam enquanto o mundo cá fora parecia castigar todos os que andavam na rua. E eu, eu que entrei alheio ao resto não te consegui ignorar e fui-te observando de longe. Por ali ficaste, como se eu ali não estivesse, como se a minha presença te não fizesse qualquer diferença, continuavas alegre com aqueles que te rodeavam, praticamente não te ouviam, bem o sei, mas tu tens esse charme, que para mim se tornou insignificante à beira daquilo que consegues ser, as pessoas ficam so para olhar para ti. Não sei se me ignoraste a noite inteira, nao sei se só me viste ao sair. Ao fim da noite, quando nos aproximavamos do caos que se fazia sentir lá fora, esboçaste-me um sorriso, esse teu sorriso que apesar de bonito, eu já o conhecia como sendo de "desprezo", sim eu conheço os teus truques. E foi nessa noite tenebrosa que me deste a força que eu precisava para te "esquecer". Tive o cuidado de guardar todos os nossos bons momentos, o que de bom ficou, o que de bem me fizeste, apenas apaguei o que nós poderiamos ter sido e exclui para sempre a hipotese de esse nós vir a ser possivel. Porque o deixamos de ser nessa noite. E agora vejo-te alheia ao mundo e o mundo atento a ti e tu já te não dás ao trabalho de falar, apenas espera que eu te "veja", que te procure por aquilo que tens para dizer. Afinal essa noite não passou do teu jogo, não querias realmente ter-me ignorado, contaste-me alguns dias depois, eu sei, mas a minha decisão dessa noite manteve-se, não podia jogar mais, talvez tenhamos jogado tempo demais. Fiz-te alheia a mim e juntei-te à multidão que te rodeava, fiz de ti só mais uma e agora aí estás tu, a construir um nós que já há muito. E parece que o "apaguei o nós para sempre" se tornou pequeno para aquilo de que somos capazes e o para sempre acabou por ser um
"agora"´... Voltas e voltas e voltas...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ensaio

Imaginem-se algures numa urgencia de um hospital. Pois bem, aí começa a história do Gonçalo, que acabara de levar a sua esposa por se ter sentido indisposta durante o jantar. Consciente ainda, Rita, a esposa ia dizendo a Gonçalo que provavelmente teria sido de nunca ter ido a um restaurante indiano.
Gonçalo, arquitecto em Coimbra (ainda não tinhamos mencionado a profissão), conhecera Rita quando estudou no Porto, já lá vão 16 anos e 2 filhos em comum.
Conversavam enquanto aguardavam a chamada do médico, que após algumas horas chama. Rita entrou, Gonçalo decidiu esperar, Rita não apresentava sinais de preocupação e ele sempre soube que Rita prezava a sua "privacidade".
Ao fim de umas quantas horas o médico sai e pergunta pelo marido de Rita, que por sua vez ja se sentia incomodado com tanta demora.
Dr: - Sr. Gonçalo, eu sei que aparentemente a sua esposa se encontrava bem, mas no fim de alguns exames de despiste detectamos um problema grave, o que nos levou a operá-la de imediato.
Gonçalo: - Mas doutor, a minha esposa não há muito tempo fez exames e nada apontava para qualquer problema, o que aconteceu?
- Detectamos que a sua esposa tinha um problema de coração, uma insuficiência, o que provoucou este problema durante o jantar.
- Mas ela vai ficar bem não vai? Ainda há pouco falavamos e pensamos que poderia ter sido de nunca ter comido num restaurante indiano. (Um pormenor que não foi mencionado à equipa médica que atendeu. Rita quando entrou perdeu de imediato os sentidos)
- Um restaurante indiano diz você... Eu vou voltar ao bloco a ver como estao a correr as coisas, já volto com mais noticias.
- Sr. Doutor, por favor, veja o que pode fazer, eu so sei viver com ela, tudo o que sou, sou com ela, sem ela não sou nada.
O médico entra para o bloco e depara-se com a equipa em verdadeiro alvoroço. Rita não resistiu à operação delicada. Nada a faria voltar à vida, estava morta, o seu fim chegara. Ditado talvez por um enorme erro, quem sabe.
- Sr. Gonçalo, nunca há uma forma fácil de explicar o que acontece ali dentro, Rita não sobreviveu, fizemos tudo o que estava dentro das nossas capacidades, mas ela estava muito debilitada.
Gonçalo em pânico:
- Mas como não resistiu??!! Ela nunca teve nenhum problema, voces erraram, voces mataram-na!!!
Era uma reacçao já esperada, o médico ignorou as palavraas de Gonçalo e o resto da equipa acalmou-o. Feita a autópsia descobrem que aquela momentanea insuficiencia se devia, de facto, ao jantar.
Gonçalo que decidira ficar cá fora não acompanhou Rita que caíra inconsciente longe de si, a equipa médica não sabendo daquele importante pormenor, nao fez um bom diagnostico, o que levou a paciente à morte. Gonçalo inconsolavel nao se iria conseguir perdoar, nem perdoar ninguem (descobrira com uma consequencia terrivel que os pequenos pormenores, as pequenas escolhas por vezes ditam o destino, o fim). Só o simples facto de tratarem Rita por paciente lhe dava vontade de os matar a todos, parecia que lhe tirava a identidade, logo a ela que ele pensava conhecer tao bem.
Depois do funeral de Rita, depois do desespero, da falta de esperança, do aparente fim de tudo Gonçalo volta ao hospital, mas desta vez consigo levava uma certeza, desta vez quem morreria nao seria mais um paciente, mas sim o "assassino" desse paciente...
Gonçalo entra doido no hospital, nada nem ninguem o conseguiu impedir de chegar ao gabinete do médico (já é hora de lhe dar um nome, Dr. Luis Cunha), ao chegar aponta-lhe uma arma, enquanto um paciente se faz fugir pela porta em panico, e diz-lhe:
- O Sr. matou a minha esposa, não merece trabalhar aqui, nao merece lidar com a vida das outras pessoas, alias nem sequer merece a vida depois de ter morto a minha esposa.
- Calma, eu percebo toda a sua dor, todo o seu desespero, mas eu so fiz o que tinha a fazer, alias toda a equipa que acompanhou a sua esposa concordou que o melhor a fazer era operar.
- Cale-se, a unica coisa que me da a entender é que todos deviam morrer.
- Sr. Gonçalo, pense bem, nem tudo está perdido, o senhor ainda... (foi brutalmente interrompido por 3 disparos que se fizeram ecoar por todo o hospital, este som gélido chegou a todas as salas, a todos os cantos a todo o lado).
A primeira pessoa a ocorrer ao local foi a enfermeira Maria, uma mulher linda, que entrou sem qualquer expressao, estava aparentemente em choque, afinal era o seu marido que se encontrava imobilizado no chao rodeado por uma poça de sangue.
- Mas mas, o que é que voce acabou de fazer?
- Vim fazer justiça, este homem não merecia ter uma vida nas mãos.
- O senhor nao percebe pois nao? Grande parte da culpa foi sua, a operaçao demorou horas e o senhor nao fez nada para nos alertar do que se tinha sucedido, a culpa é sua!!
Maria aproxima-se do marido, deita-se no chão agarrada a ele e chora, chora... Gonçalo que nao queria viver com a culpa dessa sua falha naquela fatidica noite, no fundo sabia que a sua escolha em nao intervir ditara a morte de Rita. Alem dessa dor agora tinha tambem uma morte em maos, mas esta morte nao se deveu a tentar salvar alguem, como fizera o Doutor, pelo contrario esta morte foi um acto de egoismo, a unica coisa que queria era culpar alguem da morte indirecta que provocou e agora tinha duas mortes em maos.
Gonçalo nao sabia o que fazer, sabia que a policia nao tardaria a chegar, nao conseguia suportar a ideia de ter sido o maior culpado na morte da sua esposa e o facto de ver agora ali Maria em desespero agravava a sua dor, decide suicidar-se.
Gonçalo percebera pouco tempo antes de ditar o seu fim que ditara o fim naquele fatidico dia na urgencia, quando nao apoiou a sua amada esposa e a unica coisa que procurava era um culpado para o seu erro, nao o encontrou fora, encontrou-o dentro, dentro de si e sim, vingou-se, vingou-se e matou-o, matou-se.
O que Gonçalo não sabia era que Rita já há um ano e qualquer coisa andava envolvida com outro homem. Não devemos nunca menosprezar o poder da ignorancia. Se Gonçalo soubesse nada disto teria acontecido, estariam todos vivos ainda. De qualquer forma, não cabe a ninguem, a nenhum de nos ditar o fim, resta-nos viver com o fim e com o inicio, resta-nos nao ser culpados do nosso fim, culpados do fim dos outros.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Morreu, coitado

E sem que nada o fizesse adivinhar morreu.
Apanhou toda a gente de surpresa, até a
própria morte, que almoçava descontraidamente
com ele. Apanhou-a de tal forma distraida
que, enquanto o seu corpo lutava inutilmente
contra a morte não anunciada, teve tempo
para pensar em tudo o que não fez. Não fosse
o facto de estar "inconsciente", teria escrito
uma carta a pedir desculpa e a fazer promessas
do que nunca iria ser feito. Mas no fundo, não
era mentira, de facto, não eram mais do que os
seus sonhos, agora inalcançaveis. Morreu, coitado
e mais coitado ainda porque achou que tinha
tempo. Constatou, enquanto a morte o agonizava
e pedia a conta, (sim porque quem morre não deixa
dividas e a morte bem o sabia, até porque nunca
é seu hábito pagar o que quer que seja) que nada
de bom deixara neste mundo, constatou que de
todos os dias em que viveu em nada contribuiu
para que alguma coisa neste mundo e só neste
fosse melhor. Lembrou-se que até o crescimento
dos próprios filhos, com boa reputação lá na
vizinhança, não acompanhou nem com nada contribuiu.
Um pequeno miseravel, que viveu como quem já morreu.
Reparou que todos os dias acordou como quem adormece.

E até à inesperada morte pensava ser feliz.
ah!! Se a morte viesse mais rápido morria feliz.

De repente

E se de repente te desses conta de que não vives
como deverias viver, como a vida realmente merece
ser vivida. Se desses conta de que a maioria dos
dias te levantas sem esperança que algo de bom se
venha a revelar. E se tudo o que fazes não passe
já de um gesto robotizado, rotineiro que vais
repetindo e repetindo num ciclo monótono e sem
qualquer interesse, porque te esqueceste que já
há muito tempo atrás começaste a controlar todos
os teus actos, deixaste de ser espontaneo, não
foste mais tu, porque quiseste ser um outro que
não querias ser e foste. E se hoje voltasses a
ser tu novamente, será que as pessoas se esqueciam
do outro que foste durante tanto tempo? Será?

Não é grave

Já tentei, não poucas vezes, tentar perceber quem
sou, é obvio que me continuo a interrogar e cada
vez me perco mais a tentar perceber. E decido,
finalmente desistir de tentar perceber o que ando
por cá a fazer e com que objectivo. O tempo com
certeza me chegará com essa certeza e aí já nao
terei de me interrogar. Agora o que realmente me
preocupa é que não percebo porcaria nenhuma de
cozinha, a nao ser que fica no piso de baixo e que
é a porta ao fundo do corredor e vou ter de fazer
o jantar para umas 15 pessoas. Uma aposta bem
pensada da minha parte. Portanto, hoje à tarde
vou ali ao pingo doce buscar umas pizzas congeladas.

A casa dos segredos

E acabou a crise... Agora é só ver a vidinha
daqueles moços que estão presos numa casa...
É uma estranha sensação presa de liberdade!!

Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...