Há gente tão capaz e tão maior, que consegue ser grande o
suficiente para cair dentro das suas próprias mentiras coloridas.
Conseguem tentar fugir das adversidades atirando-as para cima
de desconhecidos, apresentando queixa contra terceiros, ou quartos.
Digamos que é quase como que construir um jogo, construir
os labirintos, os pontos de fuga, os "truques" e mesmo assim
conseguir perder com qualquer jogador. Soluções, um livro
de soluções seria, talvez, a salvação do inventor do jogo!!
terça-feira, 30 de abril de 2013
Tivesse o meu mundo sido construído fora de ti,
tivesse eu perdido a oportunidade de te ver sorrir
em dias de chuva, tivesse eu desistido de perceber
essa tua vontade inacabável de tentar e arriscar,
tivesse eu não compreendido o teu sim escondido,
tivesse eu abandonado o que de melhor havia em
nós e jamais teria saboreado a tristeza. Essa doce
tristeza que me faz perceber que o paraíso, não
foi afinal uma invenção de homens sem esperança.
tivesse eu perdido a oportunidade de te ver sorrir
em dias de chuva, tivesse eu desistido de perceber
essa tua vontade inacabável de tentar e arriscar,
tivesse eu não compreendido o teu sim escondido,
tivesse eu abandonado o que de melhor havia em
nós e jamais teria saboreado a tristeza. Essa doce
tristeza que me faz perceber que o paraíso, não
foi afinal uma invenção de homens sem esperança.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Seria
Tudo vai acabar, tu vais acabar e vais ser qualquer outra coisa,
pescadora de sonhos, por exemplo, enquanto esses também não
acabarem. Eu vou acabar, serei um inventor de folhas no Inverno,
por exemplo. Tudo acaba, menos nós. Podemos ser tudo, tu podes
ser a imperatriz de um reino encantado, sim, eu tenho um reino
encantado e não te quero como rainha, sabe-te a pouco. Mas tu,
tu vais acabar, não vais mais ser tu, vais ser céu e mar, porque o
azul não é para amar. E eu, eu vou ser o que me calhar, mas no
meu reino não penso ficar. Criei-o perfeito para ti e para os teus
sonhos, aqueles que deixaste de pescar. E no meu reino não há
Inverno, nem folhas para criar. Há, no entanto um outro tipo de
folhas, daquelas que pensamos poder eternizar. Serei poeta, se
os poetas também acabarem. Serei o que quiser, se todos me
deixarem. Virei ao meu reino, se assim o precisarem aqueles que
se perderem nas minhas construções. Serei o inventor de tudo, se
todos os outros se esquecerem. Serei mais, serei menos, serei
serei aquele que nunca teve medo de acabar, serei eu, serei nós!
pescadora de sonhos, por exemplo, enquanto esses também não
acabarem. Eu vou acabar, serei um inventor de folhas no Inverno,
por exemplo. Tudo acaba, menos nós. Podemos ser tudo, tu podes
ser a imperatriz de um reino encantado, sim, eu tenho um reino
encantado e não te quero como rainha, sabe-te a pouco. Mas tu,
tu vais acabar, não vais mais ser tu, vais ser céu e mar, porque o
azul não é para amar. E eu, eu vou ser o que me calhar, mas no
meu reino não penso ficar. Criei-o perfeito para ti e para os teus
sonhos, aqueles que deixaste de pescar. E no meu reino não há
Inverno, nem folhas para criar. Há, no entanto um outro tipo de
folhas, daquelas que pensamos poder eternizar. Serei poeta, se
os poetas também acabarem. Serei o que quiser, se todos me
deixarem. Virei ao meu reino, se assim o precisarem aqueles que
se perderem nas minhas construções. Serei o inventor de tudo, se
todos os outros se esquecerem. Serei mais, serei menos, serei
serei aquele que nunca teve medo de acabar, serei eu, serei nós!
domingo, 28 de abril de 2013
Da noite entorpecida
E, pelo meio de uma noite entorpecida pelos copos que se faziam cair pesados num corpo já fraco, foi possível vislumbrar um sorriso perdido, sincero, espontâneo. Assim o teriam pensado todos, se o tivessem visto. Eu, já desde o início me havia apercebido que poderias ser diferente, poderias cansar o banal com a tua marca pessoal. O tempo passou, perdi-te de vista. Até que voltaste, já mais cansada, já mais entorpecida, já menos equilibrada, mas o teu sorriso, esse mantinha-se igual. Por entre um ou outro momento fiz de conta conhecer-te, só para me encaixar nesse teu mundo, onde um sorriso era só mesmo um sorriso de facto, um sorriso desprendido de tudo o que me poderia prender. Podia ser eu, pensava. E foi então que falaste... Hás-de ter dito algo deste género: fhasd ddasd cdsxfcxc ****!! E eu percebi.
A viagem
E duma daquelas viagens grandes, daquelas que nem todos têm a coragem de fazer por causa da enorme probabilidade de se perderem pelo meio, descobri que me enganei num cruzamento. O problema das viagens longas, é que se nos perdemos no início, toda a viagem poderia ter sido em vão. Ora portanto teríamos de voltar atrás, ou poderíamos continuar em frente, só para descobrir se este caminho vai dar ao mesmo sítio. Pois bem, voltando à questão do cruzamento, já íamos longe, o tempo já não era muito, voltar atrás poderia significar o fim, o fim da viagem, o fim da aventura, podia também singificar encontrar o que sempre foi procurado, podia ser o alcançar de um sonho, podia ser "o final feliz", ou pelo menos, o conceito de "final feliz". Mas teria de voltar atrás... Então e se continuasse viagem, se continuasse a arriscar pelo caminho errado, quem sabe se não seria uma viagem ainda mais fantástica? E se no fundo, este fosse o melhor caminho, embora mais longo para a felicidade? E quem teria dito que a felicidade tinha de chegar depressa, quem disse que não poderíamos saborear a infelicidade, abraçá-la, brincar com ela, só para depois termos bem a noção do verdadeiro sabor de felicidade e o podermos saborear com um certo prazer. E pronto, no meio disto tudo, fomos ali a Penafiel, para não nos perdermos!
A escada
Recordo-me agora. Havia uma escada, lembraste? Era uma escada daquelas que se vêem nos filmes, cheia de flores, cheia de vida, harmoniosa, com um odor especial. Aos poucos, não percebi bem como, a escada começou a ficar mais pequena, de um momento para o outro as flores começaram a desaparecer, a vida ausentava-se. Ao fim de algum tempo essa escada mais não era que um beco, um beco sem saída, escuro, sombrio. Aos poucos tornou-se no sítio que ninguém queria mais visitar. Aos poucos reparámos que aquela escada, pouco e pouco, foi perdendo o sentido, a direcção, o objectivo, o fim. Descobrimos agora com assombro que aquela escada eramos nós e que nunca mais nos conseguiremos voltar a descobrir, porque construímos uma escada que se tornou no que não devia ser, um sítio sem saída, um local sombrio que ninguém quer visitar, nem nós que já tocámos dali o paraíso.
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