sexta-feira, 16 de março de 2012

"Durante muito tempo, julga-se que a vida é uma linha recta, cujos extremos se enterram a perder de vista nos confins do horizonte: e depois pouco a pouco, descobre-se que a linha é cortada e se encurva e que as pontas se aproximam, se juntam... O anel vai fechar-se, começa-se a ser um velho que já não sabe senão evoluir no seu círculo."

terça-feira, 13 de março de 2012

"A nossa maneira de conceber a justiça e a verdade está infalivelmente condenada a ser ultrapassada nas idades vindouras; sabemo-lo; e, longe de abater a nossa coragem, esta certeza, esta esperança são os mais eficazes estimulantes do nosso entusiasmo actual. O dever estrito de cada geração é caminhar no sentido da verdade, o mais longe que puder, até ao limite extremo do que lhe é permitido entrever - e porfiar desesperadamente, como se pretendesse atingir a verdade absoluta. É este o preço da progressão do homem.
A vida de uma geração não é mais que um esforço que continua e precede outros. Pois bem, meus amigos, a nossa geração fez o seu."

In: O drama de Jean Barois

segunda-feira, 12 de março de 2012

A violência dos homens é como os grandes ventos na natureza: incha e engrossa como eles, depois acalma-se e desaparece, deixando os germes da sua actividade"

In: Drama de Jean Barois

sábado, 10 de março de 2012

Copos #2

Crias um hábito e alimenta-lo,
o hábito acaba por te criar...
Acabas por ser um hábito,
Acabas por ser ninguém.

Copos #1

O mundo já não é o que somos,
acabos por ser o que mundo fez de nós
acabamos por ser uma massa que se
deforma e se destroi aquando o mundo.

sábado, 3 de março de 2012

Enquanto te esperava na sala meia cheia, reparava
que os outros eram mais felizes, não tinham na alma
a dúvida perplexa do ter e não ter quem não chegava
Foi então que entraste e percebi que a dúvida é de quem ama.

Penso agora com a força de quem quer resposta
ao sonho há muito idealizado, perfeito, divino e
pergunto-me o que foi feito da nossa segura costa
e das dúvidas que surgem no meio de tudo o que perdi.

E se não rimi foi porque não consegui!

quinta-feira, 1 de março de 2012

A minha rua

Eu sabia que eras tu, não podia haver mais uma mulher
com as tuas características na "rua" que foi sempre tua.
E se não eras tu na tua rua, não podia ser eu que te via.
E eu, eu tinha a certeza que era eu que estava a ver a
outra mulher... Volto a olhar e revivo o que de nós foi,
o que de nós morreu e concluo que afinal és tu na tua
rua. E também sou eu a olhar para ti, não sou outro.
Sou o mesmo que viu os dias nascer contigo, sou o mesmo
que te viu matar todos esses dias, quando na tua plácida
face entendi que tinhas de partir, enquanto me dizias
que ias ficar, enquanto eu sorria e te dizia que sim, e
pensava que, afinal, tudo não passava do nosso eterno
retorno ao que nunca fomos. Nesse dia que olhava essa
mulher na tua rua, entendi que afinal eras tu, o que
afinal mudara fora a maneira como o meu coração te
conhecia e não reconhecia já. Já não eras a mulher
daquela rua, eras só mais uma, uma mulher qualquer
que um dia fora dona dessa rua... Mas afinal, essa rua
é minha, tu só lhe deste o teu nome durante algum tempo.

Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...