quinta-feira, 20 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A vaca que secou

"Era uma vez uma vaca, que comia feno e produzia leite.
A vaca era de todos e todos precisavam de organização.

- Quem dá de comer à vaca?
- Eu dou.
- Eu não.
- Quem ordenha a vaca?
- Eu faço.
- Eu vou.
- Eu não.
Mas que grande confusão!
De entre todos, alguns assumiram a responsabilidade de gerir a situação.
Para facilitar a distribuição de tarefas, a vaca foi “dividida”, metade era tratada por uns, outra metade por outros e ficava assim a situação resolvida.
Uns tratavam de arranjar o feno, outros tratavam da ordenha.
Tudo se resolveu, que bem que funcionava este sistema!
Mas pouco a pouco, um facto emergiu, era preciso tanto feno para produzir tão pouco leite, algo que nunca se viu.
Arranjou-se mais feno e mais feno e mais feno mas não vinha nem leite, nem queijo, nem manteiga!
Tanta gente a tratar do feno, porque não havia mais leite, algo que se veja?
Foram então uns perguntar a outros:
- Então? Nós que damos tanto feno, recebemos tão pouco leite, por que razão? – a resposta foi breve
- Não sabemos quando o feno pode acabar, estamos a gerir o leite para o assegurar.
Parecia lógico, bem pensado, uma boa precaução.
Mas algum tempo depois, veio o mau tempo e o feno escasseou.
Preocupados, uns foram ter com outros:
- Não temos mais feno, ainda bem que guardaram algum leite.
- Não há leite guardado – disseram os outros e isto gerou confusão.
- Como podem não ter leite se não nos deram a nossa parte para o caso de um dia não haver feno?
- Que disparate! Sem feno não há leite, palermas. – isto gerou uma grande discussão.
- Onde está o nosso leite?
- O leite é nosso. Sai da nossa metade.
- Mas sem feno não têm leite.
- Exacto, sem feno não têm leite.
- Queremos o que temos direito.
- Tragam feno e nós damo-vos leite.
- Já vos demos tanto feno e vocês não nos deram a nossa parte do leite.
- Querem o que têm direito? Tomem o estrume, já ajuda para o feno.
Uns ficaram sem leite e outros beberam o leite que tinham… até já não ter.O leite acabou. Sem feno, a vaca secou, definhou.
Foi então que com a aflição todos se aperceberam, uma vaca que não dá leite, é uma vaca que dá carne e todos foram a correr para a comer.
Quando só o esqueleto ficou, todos discutiram para perceber o que falhou.
- Foi o feno que faltou.
- Foi o leite que não chegou.
Até que uma voz se ouviu:

“Foi a divisão que não resultou. Uns alimentavam e outros bebiam. Uns descuravam e outros abusavam. Partilhar as metades, partilhar o fardo da alimentação e a alegria da produção, era essa a divisão.”

Que triste conclusão, depois de tanta disputa e porque não souberam partilhar, comeram a vaca do quintal, a vaca de seu nome Portugal.
- Que fazemos agora? – perguntavam com aflição.
outra voz surgiu e indicou:

“Olhem ali, no outro quintal, há outra vaca, e esta não nos vai deixar ficar mal. Esta tem leite de certeza ou não seja ela a vaca global."

Que nunca nos falte a mama, porque mesmo com a teta seca, mamamos até ao tutano.

*Uma lição que não se aprende, é um erro que se repete, agora com licença que se não me apresso comem o meu bife e aqui o palerma é que emagrece."

By: Rafael Videira

Carta aberta

"A quem possa interessar,

Venho por este meio pedir desculpa a todos aqueles que magoei. Gostava que soubessem que nunca o pretendi, embora saiba que o fiz vezes e vezes sem conta. Cada uma das marcas deixadas pelas agulhas recordam-me da dor que provoquei num de vocês. Por tudo isso, desculpem.

Não sei se acreditarão em mim, mas queria dizer-vos que não fui eu que escolhi esta vida. Foi sim esta vida que me escolheu. Sei que parece uma desculpa esfarrapada, uma invenção pobre para me demitir da minha responsabilidade, mas não é isso… Por favor, acreditem que não é isso!

Eu quis parar várias vezes, mas nunca soube como o fazer. Fui obrigado a continuar com este estilo de vida que só me traz dor e culpa. Por vezes, olho para trás e ponho-me a remoer no passado, na tentativa de perceber como e quando é que tudo isto começou. Só que não chego a nenhuma conclusão. Não sei o que me trouxe até aqui.

Mas também não interessa. Agora já não interessa. Saber que prejudiquei a vida de muitas pessoas gera-me um sentimento de culpa insuportável. Acho que a única forma de terminar com todo o sofrimento que tenho causado é mesmo acabar com a minha própria vida. E se ainda não o fiz, se ainda não me suicidei, é porque sei que esse acto desesperado iria também destruir a vida de alguém.

Uma vez mais, desculpem. Desculpem tudo o que vos fiz.


Ass: Ogou Danbala Tawoyo – Boneco de Voodoo"

Amílcar Monteiro

Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...